segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
O Arquiteto e os Estudos de Risco
Há muito que ouvimos queixas de todos os setores da produção arquitetônica sobre a prática de Estudos de Risco e Contratos de Risco, ou melhor sobre a demanda por esta prática pelo mercado. É claro que em maior quantidade aparecem as queixas dos arquitetos, legítimas sem sombra de dúvida.
Muitas vezes o arquiteto é levado a participar de disputas desta natureza devido à disponibilidade de horas em sua agenda para se ocupar com um novo projeto, sobretudo se seu programa os atrai. Nós arquitetos amamos o processo de projetar e costumamos ser prolixos em nossas apresentações. Mas não podemos ser remunerados exclusivamente pelo nosso prazer o que nos levaria a uma autêntica “autofagia” profissional.
Numa primeira aproximação ao problema é comum apontar-se como causa o excesso de oferta de profissionais frente à baixa demanda por seus serviços. Porém esta ótica freqüentemente é embaçada pela visão de que os serviços prestados informalmente ou gratuitamente ou em escambo não se constituem uma demanda. Se há tantas construções em andamento pelo pais todo, sejam de segmentos residenciais, comerciais, serviços, lazer ou institucionais, com certeza este mercado é de forte demanda para serviços de arquitetura em geral. A maior parte dos empreendimentos em todos os setores dependem de investimentos imobiliários. Portanto a causa não é falta de demanda.
Em fóruns de discussão da categoria diversas sugestões são apresentadas, como normas para procedimentos de todos os tipos, desde condições a serem impostas pelo profissional até de estabelecimento de valores base de remuneração para estes casos, mas todas levando em consideração como parte fundamental de seu sucesso a adesão plena de toda a classe profissional a uma postura e atitudes firmes perante tais situações.
E é neste ponto que se encontra a verdadeira dificuldade em se mudar esta prática; sempre haverá um profissional ( quando não muitos ) disposto a se arriscar executando um Estudo de Viabilidade ou Preliminar gratuitamente, em troca de uma chance de ser contratado posteriormente.
É difícil mas não impossível de se mudar esta realidade.
Na prática acho que o profissional deve avaliar cada caso como sendo único, em todos seus aspectos.
Em cada contato com o solicitante devemos estar preparados para instruí-lo sobre os benefícios que ele pode obter se remunerar ao menos os custos de cada equipe que o atender, estabelecendo um valor básico para isto. Se ele está buscando esta variedade de soluções, as equipes que forem remuneradas investirão melhor seus conhecimentos e habilidades no Estudo a ser elaborado.
Por exemplo podemos fazê-lo entender que inegàvelmente qualquer rabisco de estudo recebido será utilizado como base para suas avaliações quer sejam de âmbito econômico quanto programático. Portanto uma quantia que for investida em estudos reverterá em economia de valor muito maior seja na execução como na utilização da edificação.
Quando de frente a situações deste tipo não deixo de sugerir que o cliente estabeleça uma remuneração padrão para todos os concorrentes que ele convidar para apresentarem estudos. Nos casos em que o cliente aceitou não se arrependeu; obteve estudos em nível qualitativo alto dos quais extraiu conhecimento sobre o processo e pode simular diversas situações espaciais e econômico/financeiras, partindo para um processo de contratação muito seguro de seus desejos e objetivos. Um cliente neste estágio de maturidade contribui muito com o projeto inserindo qualidade no processo do mesmo. E o maior beneficiado com esta qualidade é o próprio cliente.
A mudança desta realidade, como disse, não é impossível, mas apenas trabalhosa.
Outras práticas devem ser valorizadas pelos profissionais também, como a oferta de diferentes tipos de serviços para cada situação ou demanda. Existem diversos serviços úteis ( e que portanto têm valor ) que o arquiteto pode oferecer e que se constituem em alternativas como formas de atuação que não sejam a clássica seqüência Estudo/Ante-Projeto/Executivo, que para muitos ainda é um paradigma rígido.
Este é um assunto muito interessante para a classe profissional, bem como a contribuição do profissional para com os processos de definição e escolhas que muitas vezes são impostos pelo cliente.
Pretendo abordar estes assuntos em outra oportunidade.
Silvio
Muitas vezes o arquiteto é levado a participar de disputas desta natureza devido à disponibilidade de horas em sua agenda para se ocupar com um novo projeto, sobretudo se seu programa os atrai. Nós arquitetos amamos o processo de projetar e costumamos ser prolixos em nossas apresentações. Mas não podemos ser remunerados exclusivamente pelo nosso prazer o que nos levaria a uma autêntica “autofagia” profissional.
Numa primeira aproximação ao problema é comum apontar-se como causa o excesso de oferta de profissionais frente à baixa demanda por seus serviços. Porém esta ótica freqüentemente é embaçada pela visão de que os serviços prestados informalmente ou gratuitamente ou em escambo não se constituem uma demanda. Se há tantas construções em andamento pelo pais todo, sejam de segmentos residenciais, comerciais, serviços, lazer ou institucionais, com certeza este mercado é de forte demanda para serviços de arquitetura em geral. A maior parte dos empreendimentos em todos os setores dependem de investimentos imobiliários. Portanto a causa não é falta de demanda.
Em fóruns de discussão da categoria diversas sugestões são apresentadas, como normas para procedimentos de todos os tipos, desde condições a serem impostas pelo profissional até de estabelecimento de valores base de remuneração para estes casos, mas todas levando em consideração como parte fundamental de seu sucesso a adesão plena de toda a classe profissional a uma postura e atitudes firmes perante tais situações.
E é neste ponto que se encontra a verdadeira dificuldade em se mudar esta prática; sempre haverá um profissional ( quando não muitos ) disposto a se arriscar executando um Estudo de Viabilidade ou Preliminar gratuitamente, em troca de uma chance de ser contratado posteriormente.
É difícil mas não impossível de se mudar esta realidade.
Na prática acho que o profissional deve avaliar cada caso como sendo único, em todos seus aspectos.
Em cada contato com o solicitante devemos estar preparados para instruí-lo sobre os benefícios que ele pode obter se remunerar ao menos os custos de cada equipe que o atender, estabelecendo um valor básico para isto. Se ele está buscando esta variedade de soluções, as equipes que forem remuneradas investirão melhor seus conhecimentos e habilidades no Estudo a ser elaborado.
Por exemplo podemos fazê-lo entender que inegàvelmente qualquer rabisco de estudo recebido será utilizado como base para suas avaliações quer sejam de âmbito econômico quanto programático. Portanto uma quantia que for investida em estudos reverterá em economia de valor muito maior seja na execução como na utilização da edificação.
Quando de frente a situações deste tipo não deixo de sugerir que o cliente estabeleça uma remuneração padrão para todos os concorrentes que ele convidar para apresentarem estudos. Nos casos em que o cliente aceitou não se arrependeu; obteve estudos em nível qualitativo alto dos quais extraiu conhecimento sobre o processo e pode simular diversas situações espaciais e econômico/financeiras, partindo para um processo de contratação muito seguro de seus desejos e objetivos. Um cliente neste estágio de maturidade contribui muito com o projeto inserindo qualidade no processo do mesmo. E o maior beneficiado com esta qualidade é o próprio cliente.
A mudança desta realidade, como disse, não é impossível, mas apenas trabalhosa.
Outras práticas devem ser valorizadas pelos profissionais também, como a oferta de diferentes tipos de serviços para cada situação ou demanda. Existem diversos serviços úteis ( e que portanto têm valor ) que o arquiteto pode oferecer e que se constituem em alternativas como formas de atuação que não sejam a clássica seqüência Estudo/Ante-Projeto/Executivo, que para muitos ainda é um paradigma rígido.
Este é um assunto muito interessante para a classe profissional, bem como a contribuição do profissional para com os processos de definição e escolhas que muitas vezes são impostos pelo cliente.
Pretendo abordar estes assuntos em outra oportunidade.
Silvio
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